História

Constituída em 1991 nas então estruturas do Ministério da Cultura sob a designação de Conjunto Experimental de Dança (CED) e integrada pelos professores e alunos de maior nível técnico da Escola Nacional de Dança, a Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDC) fez a sua estreia no Teatro Avenida, em Luanda, no dia 27 de Dezembro desse ano, com a peça A Propósito de Lweji.

A alteração da designação deste colectivo (CED) – o primeiro de dança profissional do género em Angola e um dos primeiros em África a produzir dança contemporânea – para Companhia de Dança Contemporânea é oficializada a 9 de Abril de 1993 por despacho do Ministério da Cultura, mantendo-se os mesmos integrantes, objectivos e metodologias de trabalho.

Com o propósito de divulgar a dança contemporânea dentro e fora do país através da apresentação regular de espectáculos, em regime de temporadas, a CDC procurou diferentes vocabulários e novas linguagens, como forma de expressão, no âmbito da pesquisa e experimentação, surgindo assim uma proposta de revitalização da cultura de raiz tradicional e popular, pela utilização dos seus elementos na perspectiva da criação de novas estéticas para a dança angolana.

Com obras como Corpusnágua; Solidão; 1 Morto & os Vivos, Introversão versus Extroversão ou 5 Estátuas para Masongi, e com a intenção de tirar a dança dos convencionais palcos dos teatros, a Companhia de Dança Contemporânea introduz a utilização de espaços não convencionais como lugares com água, jardins, antigos locais de tertúlia ou galerias de arte, iniciando os espectadores em novas formas e conceitos de espectáculo. Para estas criações trabalha em conjunto com alguns dos mais prestigiados escritores e artistas plásticos angolanos, entre os quais Manuel Rui Monteiro, Artur Pestana Pepetela, Frederico Ningi, Carlos Ferreira, Jorge Gumbe, Francisco Van-Dúnem Van, Masongi Afonso e António Ole.

A utilização da dança como forma de intervenção, exprimindo e revelando aspectos inerentes ao homem enquanto protagonista de uma multiplicidade de contextos, é outra das opções desta companhia como o reflectem Mea Culpa; Imagem & Movimento, Palmas, por Favor!; Neste País…; Agora não dá! ‘Tou a Bumbar… e Os Quadros do Verso Vetusto.

Fundada e dirigida desde o início pela bailarina e coreógrafa Ana Clara Guerra Marques que, acreditando na criação de uma dança contemporânea angolana a partir da sua herança cultural africana, efectua estudos de investigação e pesquisa em várias regiões de Angola, a CDC foi a responsável pela ruptura estética e formal da dança angolana, com dezenas de espectáculos produzidos e obras originais criadas. Para além das apresentações em Angola, a CDC representou a dança contemporânea angolana em vários países africanos vizinhos, na Europa e na Ásia, tendo o seu trabalho sido apreciado e testemunhado por milhares de espectadores.

Dez anos após a sua paralisação a CDC regressou em 2009, com a mesma vontade e determinação com que começou e venceu obstáculos passados, para recuperar um antigo projecto, agora com uma nova dinâmica e novas formas de suporte e de prolongamento da sua actividade. Com esta iniciativa, a CDC compromete-se a repor o profissionalismo em dança e a provocar novos olhares sobre aquilo que pode ser uma proposta para a dança contemporânea angolana, através de um profundo trabalho de investigação e reflexão sobre este domínio.

Porque a arte não existe apenas no plano do espectáculo, mas também noutras vertentes em que outros públicos a experimentam, a manipulam e criam produtos, sensações, descobrem vocações ou apenas desfrutam de momentos de prazer, o projecto da nova CDC integrará também uma Oficina de Artes que fará uma ponte entre o ensino, as artes e a comunidade, permitindo que esta se aproxime e ganhe com todas as possibilidades que o teatro, a dança, as artes plásticas e outras linguagens lhe proporcionam, entre as quais a resolução de problemas de integração social.

Divulgar, surpreender, ensinar, ajudar a imaginar, levar as artes à comunidade e educar o sentido estético do público, trazendo-o à apreciação e exploração das diversas vertentes artísticas, num espaço de criação identificado e orientado por profissionais ajudará, temos disso a certeza, à educação, à descoberta de si, à felicidade e ao incremento e elevação cultural da nossa sociedade.

Constituída por 11 elementos fixos e 2 colaboradores, a Companhia de Dança Contemporânea de Angola fez a sua reaparição com uma temporada de sete espectáculos realizados no mês de Setembro de 2009, no Teatro Nacional, com a obra Peças para uma Sombra Iniciada e outros Rituais mais ou Menos.

Este trabalho marca também o abrir de um novo caminho para a dança em Angola, a dança inclusiva, pela integração de elementos portadores de deficiência física.

Share